Sopro de Furacão

Outubro 19, 2009

Saiu dali meio tonto

Nem alegre nem triste

Só sabia que não sabia

 

Cabeça inchada

Entendia nada

 

Pediu conselhos,

Perguntou,

Respondeu,

Tudo a si mesmo

 

Como um furacão

Lembranças vinham,

Espalhavam,

Mexiam

 

Vendo-se em um abismo

Caía, caía

 

Agarrava-se com força

Era um arbusto?

Uma folha?

Que danado seria?

 

Na verdade eram pensamentos

Menos fantasiosos

Que salvaram o dia

Mesmo não trazendo alegria.

Mais um dia

Outubro 14, 2009

E um dia,
mais um
sim,
mais um dia
quem diria?
não como temia
nem desejaria
apenas mais um

a manha se acabou
a tarde chegou
a noite, a noite sim
essa reinou
ate que ele nasceu

sim, mais um dia
um ontem se fez
de algum hoje talvez
e de novo
tudo se acabaria
sim, de novo,
outra vez
já era mais um dia

Gotas que vão

Setembro 30, 2009

Agarrando com força

O extremo mais próximo

De uma frágil vidraça

Que se descasca

Tenta originar

Um estampido breve

Em uma noite suave

 

Corre sem saber

Para sem quase ouvir

Pensa no que dizer

Contempla a natureza

Sente, apenas sente

 

De volta procura

O que não está ali

Descobre uma janela

Estende as mãos

Tarde, muito tarde

 

O chão molhado

Diz tudo silenciosamente

Fim de tempestade

Começo de verão

Até que outro dia passe

Um Sorriso

Setembro 11, 2009

Estava ali, bem na minha frente, sossegado, escancarado, um sorriso gratuito que não era bem pra mim, mas pouco importava. Não, a dona dele, em si, quem ela era também não importava. O que contava era aquele momento. De um rosto nunca antes visto saía tanta beleza, paz e alegria. Via seus lábios mexerem, mas nada podia ouvir, importava-me? Não. Sentia apenas, admirava-me, encantado ficava. Alguns outros seres humanos não tão iluminados passavam na minha frente impedindo por alguns instantes o testemunho daquele espetáculo. Aos poucos as interrupções ficavam mais freqüentes até então não ser possível acompanhar mais nada. Aquela visão, aquele show, procurava e já não mais encontrava. Fechava os olhos então, tentava repetir em minha mente tudo que fora registrado como um filme que seria repetido infinitas vezes. A doçura daquele olhar, a maestria na disposição das mãos enquanto falava, tudo contribuía para a concepção daquela obra quase perfeita, pelo menos aos meus olhos. Pensava então:  caso esta seja melhor, me belisque e me acorde para a realidade.

*Prox post será o post sobre ajax que havia prometido.

A note for Vista users: If you can’t find the Google Talk Music plug-in in the Plug-ins tab of your Windows Media Player settings, try these steps:

  1. Uninstall Google Talk.
  2. Visit http://www.google.com/talk/
  3. Click Download Google Talk client near the bottom of the page.
  4. Save the installation file to your desktop.
  5. Right-click the installation file (googletalk-setup.exe) on your desktop and select Run as administrator.
  6. Follow the instructions to install Talk.

Resumindo: desinstalar e reinstalar tendo o cuidado de executar a instalação como administrador.

fonte: http://www.google.com/support/talk/bin/answer.py?hl=en&answer=46532

Pronto, agora podem seguir os passos do meu outro post.

Espero ter respondido um monte de gente. Desculpem a demora, hehe.

QUASE explodindo o mundo

Agosto 29, 2009

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Estava quase adormecido programando o piloto automático de sua nave enquanto algumas imagens surgiam a seus olhos, a sua frente, e em seu passado quase presente. Anos luz, anos luz, era uma frase que ouvia repetidamente. Sim, mensagem recebida, código de aproximação ativado. Propulsores a toda, era a hora. Não mais por ali, nem acolá. Uma dimensão não mais existia. Não como sempre. Como um dominó que desmoronava, mas não ordenadamente, cada peça espalhada para um lado diferente. Assim era a descrição do que avistava. Nenhum ser que voasse aparecia. A escuridão não completava tão bem o cenário. Acendeu uma luz com um apertar de botão, algo tão banal por hoje, tão surreal por ontem e tão impossível por amanhã. Uma chuva densa caía no horizonte. Preparado apertava seu último botão. Teria que ser ágil, pois aquele mundo de sempre iria explodir. Num ato de coragem e sobrevivência seria ejetado pra uma galáxia distante. Quando podia ver aquela esfera azul se espremendo e fortes  fagulhas vermelho-alaranjadas gigantes saindo de todos os lados, se surpreendia com uma voz:

—Querido, querido, acorde.

Aquele rosto lindo o trouxe de volta de anos luz de distância em milésimos de segundo.

Ele chegou à cidade

E queria intimidade,

Proximidade,

Oportunidade

Sentou, saiu, cochichou

Reclamou em voz alta

Nada mudou

Deitou, dormiu, descansou

Acordou, andou, parou

Olhou, olhou, pensou:

Não, não pode ser…

Sim, de boca aberta ficou

Parecia de outro mundo

Paralisado ficou

Perguntava-se,

E respondia a si mesmo…

Sim, sua beleza é uma exclusividade.

* Prox. Post deve vir algo relativo a programação. Algo com Ajax de repente…espero cumprir a promessa.

O Embrulho Perdido

Agosto 10, 2009

            Passava de mão em mão sendo sempre rejeitado. Uns diziam: Sai daqui, num serve pra nada. Outros o chutavam. Por vezes o tratavam tão bem, o guardavam, mas quando ele se abria, logo era novamente lacrado e jogado longe. O engraçado é que sempre o fechavam totalmente de modo que ele não se avariava muito por muito tempo. Até outro transeunte passar, vê-lo e levá-lo consigo. Talvez até ele ser aberto novamente. Dentro dele havia algo que tinha passado de geração a geração, algo inquebrável e resistente. Mas que poucos davam valor. Ou que pelo menos quase nunca era reconhecido. Chamavam este tipo de embrulho de coração. Já o que era carregado dentro variava muito de nome. Uns chamavam de amizade, outros de amor e em outros momentos podia-se chamar de tristeza, de angústia ou solidão. Mas uma coisa era certa. Naquele em especial o que comumente havia era amor.

O Limbo dos Sonhos

Agosto 4, 2009

Era conduzido por um senhor baixinho. Não entendia nada do que estava acontecendo. Era noite e caminhavam por uma espécie de pequena floresta aberta de chão de terra de tom claro. Depois de um bom tempo entraram em um casebre que por fora parecia uma igreja. Nenhuma palavra era dita até que ele resolveu falar:

—Ei, pra onde está me levando? Nem sei ao certo porque estou concordando em lhe seguir.

Não obtinha nenhuma resposta, então prosseguia. Entrando lá se pode perceber que se tratava de uma construção bem antiga formada por apenas um cômodo. Ali se podia ver uma mesa retangular que lembrava mais um balcão e duas cadeiras. Foi convidado então a sentar-se.  O senhor baixinho então o observava atenciosamente. Em resposta o silêncio foi novamente quebrado:

—Por que estás a me olhar? Não estou entendendo nada.

Dito isso podia perceber um sinal de reprovação de seu companheiro.  O viu sair e decidiu tentar tirar um cochilo.

Tempos depois acordava e via aquele sujeito ali parado como quem esperasse ouvir algumas palavras. Mas, quais? Do que se tratava aquilo tudo? Tentou imaginar que estava acontecendo algo bem desconhecido. Então resolveu arriscar:

—Amigo,  o que diabos é isso aqui? Uma espécie de limbo? Confesso que nem sei ao certo o significado dessa palavra.

Recebia uma espécie de sopa. Comia enquanto pensava em tudo o que lhe havia acontecido ultimamente antes de ser conduzido até ali. Foi então que teve uma idéia do motivo o qual o levou a isso tudo:

—Já sei, estou aqui porque repudiei minha própria vida. Será isso?

Via agora uma expressão diferente naquela cara enrugada. Vendo então que seguia uma boa pista continuou:

—Está bem, eu confesso. Realmente desejei perder minha vida, pois ela não estava muito legal não. Aquela que amo mal sabe direito de minha existência, minha melhor amiga está magoada comigo e pelo jeito tudo indica que é o final de uma amizade que julgava ser forte e pra sempre, enquanto isso meu emprego que estava garantido e com ótimas condições mudou completamente, me deixando frustrado com o rumo que as coisas tomaram. Pra completar meu time amado se atolou de um jeito que dizem por aí que ele deve vir a fechar as portas.  Mas, agora sei o quanto isso é pequeno perto de uma vida.  Sim, eu quero viver, afinal posso superar todos esses problemas. Parece que precisava fazer essa caminhada macabra pra poder enxergar isso.

Ouvindo tudo isso aquele senhor começava a sorrir ao mesmo tempo em que fazia sinal de positivo com a cabeça.

Logo, Eurípedes acordava e se surpreendia:

—Poxa amor, você dormiu muito, já estava preocupada. No dia da final do campeonato, seu time prestes a ser campeão e você aí desfalecido.

Chegava alguém mais na conversa, era Letícia, sua melhor amiga:

—Realmente, o sono deve ter acumulado mesmo hein? Poxa, o jogo já tá dois a zero viu?

Eurípedes sem entender enxergava a marca da empresa de onde sempre sonhou em trabalhar numa bolsa que parecia ser sua.  Um pouco zonzo concluiu:

Ué, agora nem sei mais o que é sonho e o que é realidade…

À espera

Julho 21, 2009

Esperar o que? para que? com que? Quantas perguntas às vezes nos fazemos e de repente notamos que não, não mesmo, nem pensar, nenhuma resposta. Enquanto isso uma folha cai no chão, as pessoas andam, amam, odeiam, iniciam, continuam ou perdem suas vidas. E sempre um dia novo surge, ao mesmo tempo que outro se vai. Então, eis que neles também se vão várias expectativas frustradas e depois talvez apareçam surpresas boas e outras nem tanto. O mundo continua girando, e isso não muda mesmo que seu time perca, ganhe, ou apenas aquele vizinho chato viaje. O dia cansativo de hoje pode ser uma preparação para outro igualzinho amanhã, ou quem sabe muito mude e se possa sentir um cheiro, admirar a beleza alheia, rir com besteiras, enfim, realmente viver a vida. Espere e verá…ou não.